PERASHAT HASHAVUA –VAYKRÁ - PORÇÃO SEMANAL DA
TORÁ, Comentários Or Gadol Dr. Isaac Dahan
Leitura completa em 05/NISSAN /5770 -
20/MARÇO/2010 – Pág. 288 – A
Lei de Moisés – Editora Sefer)
Iniciamos neste Sábado a leitura do SEFER
VAIKRÁ ( e chamou, em hebraico), conhecido na
Versão dos Setenta como Levítico, o que
até certo ponto não traduz exatamente o
seu conteúdo, pois pouco faz
menção aos Leviim (Levitas), abordando
principalmente os Cohanim (Sacerdotes), sendo por este
motivo chamado nos tratados talmúdicos de Sefer
Torat Cohanim (Livro da Lei dos Sacerdotes). Talvez por
Aarão e seus filhos pertencerem à tribo
de Levi, este Sefer passou a ser denominado nos meios
não judaicos de Levítico.
Nesta primeira perashá encontramos normas
detalhadas sobre os sacrifícios e suas
categorias, adoração a D’us,
agradecer Suas bondades, perdão por faltas
cometidas voluntária ou involuntariamente, etc.
Não se trata apenas do aspecto material destas
oferendas e sim, principalmente, sob o ponto de vista
moral, incutir tanto nos sacerdotes quanto no povo a
necessidade de pautarem suas vidas no caminho da pureza
espiritual, já que a palavra Korban
(sacrifício, em hebraico) deriva de Lehakriv
(chegar perto, aproximar-se), fazendo alusão que
desta forma, livres de escórias morais, torna-se
mais factível aproximarmo-nos de D’us.
Faz-se necessário que a oferenda seja da
própria pessoa e não se utilizando de
coisas que não lhe pertençam de fato ou
que estejam sobrando, refletindo-se então como
se o indivíduo esteja tirando algo de si
próprio para doação, de acordo com
o contido em Lev. 1:2 “Adam ki iakriv mikem
korban L’Ad-nai” (uma pessoa – de
vós mesmos – quando trouxer um
sacrifício ante Ad-nai). Seria como se ele
próprio fosse oferecido ao altar.
É importante registrarmos as discussões
rabínicas sobre o mandamento dos
sacrifícios. Vários profetas, entre eles
Samuel, Amós, Oséias, Isaias,
Miquéias, Jeremias assim como o Rei David e o
grande legislador Maimônides, entre outros,
além de opinarem que os sacrifícios
animais foram ordenados não pelo seu valor
intrínseco, mas como um meio de afastar os
israelitas do culto a ídolos e
sacrifícios humanos praticados pelas
nações que os rodeavam, proclamavam que
não eram os sacrifícios que D’us
desejava, mas o conhecimento de D’us “pois
misericórdia quero e não
sacrifício; e o conhecimento de D’us mais
do que ofertas de
elevação”(Oséias 6:6).
Nachmânides (1194-1270) e outros rejeitavam estes
argumentos, afirmando que o alvo básico do
sacrifício não era o sentido negativo,
para evitar a idolatria, mas sim, despertar, pelo
sacrifício oferecido, sentimentos de remorso
pelo mal praticado e avivar a responsabilidade que cada
ser humano deve ter perante D’us e a sociedade.
Rabi Ibn Pakuda, autor da grande obra filosófica
Doutrina dos Deveres dos Corações,
complementa dizendo que entre estes sacrifícios
tinham aqueles cujo objetivo era perdoar antes de
qualquer coisa os maus impulsos do
coração e os perversos pensamentos.
Enquanto o homem não for capaz de reprimir os
seus maus impulsos nem de conter seus pensamentos
desprezíveis, todos os seus sacrifícios
materiais serão considerados aos olhos do Eterno
como uma blasfêmia (Rabi M. Diesendruck Z’L
em A Lei de Moisés – Editora Sefer). O
sacrifício, portanto, pode ser entendido como
mais necessário para os homens do que para
D’us.
Também se torna essencial e até hoje
é aplicado quando se faz uma oferenda, que a
pessoa deve ter seu coração e olhos
voltados para os céus. Quer dizer, D’us
não quer de nós quantidade, apenas que
doemos em função do que recebemos
d’Ele e que no momento de dar, façamos com
boa vontade, alegria, amor e grande kavaná
(intenção). O requisito principal citado
na TORÁ é: “Nedivat Halev (uma
doação vinda do
coração)”. Desta forma vemos que o
que interessa ao Altíssimo, voltamos a frisar,
é uma doação vinda do
coração, não importando a
quantidade, mas a qualidade espiritual que está
imbuído o doador.
SHABAT SHALOM UMEVORACH !
Isaac Dahan
Chazan / Shaliach Tsibur da Comunidade de
Manaus