Manaus - Amazonas
27 de Março de 2017
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Revista Eletrônica
Edição 219
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HILULÁ DE RABI SHALOM E. MUYAL SERÁ NESTE DOMINGO, 06/MARÇO, ÀS 19:30H NA SINAGOGA

RABI SHALOM EMANUEL MUYAL Z’L

 

Foi sepultado em Manaus no ano de 1910, no cemitério São João Batista. Naquela época ainda não havia o cemitério israelita e nem comunidade completamente formada, o que ocorreu após a inauguração da primeira Sinagoga (1925), do cemitério (1928) e do Comitê Israelita do Amazonas – CIAM - (1929). Cerca de noventa sepulturas judaicas que datam desde aproximadamente 1880 encontram-se também no cemitério público municipal. Todos estes jazigos foram tornados perpétuos em nome  do CIAM, que desta forma, frente à dificuldade de traze-los para o cemitério israelita e na ausência de parentes, procurou perenizar estas kevurot, já que neste local, as sepulturas que não forem reclamadas em cinco anos são vendidas para outras famílias da cidade.

Pouco se sabe em Manaus acerca de Rabi Shalom Emanuel Muyal Z’L. Segundo um sobrinho do Rav, chamado Meyr Muyal, que reside em Israel e foi entrevistado pelo correligionário David Salgado Filho, de Manaus e ali domiciliado, ele veio para a Amazônia em 1908 seguindo instruções do Grão-Rabino de Marrocos, na época Rabi Rephael Ancáua Z’L, para verificar a situação de centenas de famílias de judeus marroquinos que desde 1810 para cá emigravam, quais eram as suas necessidades e possível orientação rabínica que surgisse.

A porta de entrada era via Belém-PA, onde aportavam todos os navios oriundos da Europa para a região norte do Brasil. Acredita-se que entre 1908 e 1910, quando faleceu em Manaus, ele deva ter feito esses contatos subindo o Rio Amazonas, em cujo percurso floresceram inúmeras pequenas comunidades nas cidades interioranas chegando at Manaus e indo até Iquitos no Peru. Em Belém nunca escutamos comentários sobre este Rabino.

Vêm então os relatos dos mais antigos da comunidade acerca de sua figura que se tornou mística. Uns contavam que ele estava angariando fundos para uma Yeshivá que mantinha em Marrocos ou mesmo para um Hospital para crianças carentes sem precisar se em Marrocos ou  Israel. O sobrinho do rabino, Meyr Muyal, citado acima, acha improvável estas hipóteses pois lhe foi relatado que sua família tinha posses em Marrocos, não necessitando talvez fazer este trabalho de Tsedaká. Afirmou também que ele nunca esteve em Israel.

Feitas estas considerações, o que se sabe efetivamente é que Rabi Muyal foi acometido de uma grave doença, provavelmente febre amarela - já que naquela época ainda não havia vacina contra essa virose -, vindo a falecer. Alguns comentavam que poderia ter sido em conseqüência da terrível gripe espanhola que fez milhares de vítimas fatais, grassando inclusive na Amazônia, porém esta epidemia foi em 1918 e o rabino tinha falecido em 1910. O mais provável é que a causa de sua morte tenha sido mesmo a primeira hipótese, pois conta-nos a veneranda senhora Zahra Aflalo, conhecida na comunidade como Dona Florzinha (que viva 120 anos) que o rabino estava muito amarelado (ictérico) e inchado (edema por ascite), características de falência hepática como a causada pela febre amarela.

A avó de Dona Florzinha, Cota Israel Z’L, que era avó também dos Israel de Manaus, quando ainda nova, cuidou do rabino em seus últimos dias de vida terrena, tendo ele praticamente falecido em seus braços, não se intimidando com o aspecto do doente que provocava temor nos leigos. Os membros da comunidade fizeram um muro em volta de sua kevurá (sepultura), como manda a tradição.

Pois bem, D. Cota Z’L, certamente pelo mérito de seu incansável zelo em oferecer ao rabino uma melhor qualidade de vida em seus últimos momentos, passou a ter o dom de curar enfermos com distensões musculares, entorses, fraturas e problemas de coluna; suas mãos operaram curas importantes em doentes que sofriam destes males. Ela, que jamais foi versada nesta área, diziam as pessoas, foi provavelmente abençoada por D’us pelo que fez durante a doença do rabino.

Com relação ao Rabi Muyal Z’L, o que se viu a seguir foi incrível. Não se sabe como se originou, porém sua tumba passou a ser lugar de peregrinação pela população de Manaus que o chama de “o santo judeu milagreiro”. Dezenas de placas de agradecimento por graças e curas alcançadas foram afixadas em volta de sua sepultura. É um ponto de referência lendário em Manaus principalmente para os que sofrem por saúde ou passam por outras dificuldades.

Por volta de 1980, um outro sobrinho do Rav chamado Ely Muyal, irmão de Meyr Muyal e que era membro do governo de Israel naquela época, solicitou a possibilidade da transferência de sua sepultura para Eretz Israel. O Comitê informou da impossibilidade de tomar tal atitude, o que causaria um grande mal-estar com a população da cidade; não pudemos sequer transferi-lo para o nosso cemitério que fica ao lado. O Comitê cuida constantemente não só de sua sepultura como também das mais de noventa que permanecem no cemitério municipal. No dia da Nahhalá (Yartsait) do Rabino e no período de Rosh Hashaná e Yom Kipur são feitas várias visitas à sua kevurá e assim, este importante local permanece sob a guarda da comunidade, porém aberto aos cidadãos do Amazonas. Anualmente em 01 de Adar, data hebraica de seu falecimento, o ishuv de Manaus faz uma Hilulá (cerimônia religiosa) em sua memória.

Sabemos que no judaísmo a crença em milagres tem um caráter unicamente Divino. As pessoas que passam por este plano terreno, dependendo de seus méritos.

Inúmeras reportagens já foram publicadas por importantes jornais dos EUA, Israel, Canadá, França, entre outros, e da imprensa judaica brasileira em jornais, revistas e televisão além da imprensa aberta, interessada em divulgar este caráter místico e inusitado em que se transformou a história do Rabino Shalom Emanuel Muyal Z’L em Manaus.

 (Fonte: OR GADOL – Isaac Dahan – Comitê Israelita do Amazonas - Editora Sefer – 2009)

 


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