Herois do Monte Castelo
por Israel Blajberg – Era um dia cinzento nos Apeninos.
Após quatro tentativas os pracinhas brasileiros acostumados
com o sol dos trópicos finalmente conseguiram, em meio à
nevasca, tomar o Monte Castello, onde os nazistas
entrincheirados detinham a vantagem clássica da altura,
descrita nos manuais militares. Por serem judeus, alguns
soldados brasileiros enfrentaram um duplo perigo na guerra
contra a Alemanha Nazista. 71 anos depois, neste 21 de
fevereiro, em seu nome prestamos a melhor homenagem que os
25 mil homens da FEB, 450 do Grupo de Aviação de Caça, e
70 enfermeiras poderiam receber: a recordação da sua luta,
nosso dever de memória.
Os irmãos e Tenentes Alberto e Moyses Chahon também
subiram o Monte Castello integrando o Regimento Sampaio.
Reformado como General de Divisão, o 1º. Tenente Moyses
Chahon foi um dos pouquíssimos brasileiros a receber a
“Silver Star” do Quinto Exército Norte-americano.
Ferido em combate, recebeu também a Medalha Sangue do
Brasil, a Cruz de Combate de 2ª. Classe, e uma Citação de
Combate do General Mascarenhas de Moraes, Comandante da FEB,
expedida aos 23 de fevereiro de 1945: “A combatividade, o
espírito de sacrifício, a decisão inquebrantável, a
elevada compreensão que tem da honra militar, a capacidade
de comando reveladas pelo Ten Chahon, são exemplos
dignificantes que desejo por em relevo, para os brasileiros
que combatem na Itália.” O 1º. Tenente Alberto Chahon do
mesmo Regimento, como oficial de transmissões do 1°
Batalhão, assegurando as ligações e transmissões de
ordens mesmo sob fogo inimigo, recebeu a Cruz de Combate de
2ª. Classe.
Tenente Coronel Waldemar Levy Cardoso, futuro Marechal,
comandou um Grupo de Artilharia em Monte Castello. Recebeu
a- Cruz de Combate de 2ª. Classe e a Bronze Star do Quinto
Exército Norte-americano.
Ten R/2 de Infantaria Salomão Malina, do 11º. Regimento de
Infantaria, atual 11º. Batalhão de Infantaria de Montanha,
comandou o Pelotão de Desminagem. As minas alemãs causaram
muitas vítimas, entre mortos e mutilados. Em atividade
extremamente perigosa, detectando e desativando artefatos e
armadilhas, Malina e seus comandados contribuíram para
evitar maior perda de preciosas vidas brasileiras. Em
reconhecimento, o Presidente da Republica outorgou-lhe a
Cruz de Combate de 1ª. Classe, medalha com a qual apenas
poucos integrantes da FEB foram agraciados, por atos
individuais de bravura. Em extensa citação no diploma,
Malina é louvado “ … pela coragem com que comandou seu
pelotão, abrindo caminho para a passagem da Infantaria no
eixo de ataque através de terreno minado, sob pesado fogo
da artilharia e de morteiros alemães, durante o avanço do
Regimento.”
Tenente de Artilharia Salli Szajnferber, foi Comandante de
Linha de Fogo – CLF, e Observador Avançado da Artilharia.
Somente a sua bateria disparou 3.700 tiros de obus 105 mm
sobre Monte Castelo. Recebeu a Cruz de Combate de 1ª.
Classe.
71 anos depois, a Humanidade se defronta novamente com as
mesmas ameaças do passado. Apenas os ditadores mudaram, mas
a intolerância, racismo, xenofobia e fanatismo permanecem,
aliados do terrorismo, negacionismo e da inversão de
valores éticos e morais. Novamente, é como se a cada dia
estejamos lutando contra os mesmos inimigos.
Honra e glória aos heróis de Monte Castelo, que nos
deixaram um legado de luta e determinação, a honrar e
defender diante das atuais ameaças universais.
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