O SHEMÁ ISRAEL (VISÃO JUDAICA)

O Shémá Israel    


      A intenção deste artigo é transmitir a beleza, o profundo significado, a ética, a tradição, a importância e o carinho que a Torá e o judaísmo têm por nós.
Já em relação ao Shemá, provavelmente a mais famosa das preces judaicas, muitos perguntam: por que tem ele um papel tão importante na vida de um judeu e o que significa? O rabino Shraga Simmons elucidou esta pergunta num artigo escrito em, inglês recentemente.


O Shemá é uma declaração de fé, uma promessa de fidelidade ao D-us Único. É falado quando louvamos D-us e quando Lhe suplicamos algo. É a primeira prece que a criança judia aprende a recitar. Também são as últimas palavras que recitamos antes de partir para o Mundo Vindouro.


Em todas as gerações o grito do Shemá sempre simbolizou um manifesto de fé, mesmo nas situações mais graves. Com o Shemá em seus lábios, os judeus aceitaram o martírio nas fogueiras da Inquisição e nas câmaras de gás nazistas.


Somos ordenados a recitar o Shemá duas vezes ao dia: de manhã e à noite. Esta exigência é derivada do versículo: "E você deve recitá-lo, quando se deitar e quando se levantar (Deuteronô-mio 6:7)". O Talmud no Tratado Brachót (página 10b) nos explica que "... quando se deitar e quando se levantar" não se refere à posição literal do corpo (deitado ou em pé), mas sim se refere ao horário em que deve ser recitado.


Tecnicamente falando, o horário para recitarmos o Shemá inicia-se ao anoitecer (cerca de 40 minutos após o pôr-do-sol) e vai até a meia-noite (ou, se necessário, até a aurora do dia seguinte), O horário para o Shemá matutino inicia-se cerca de uma hora antes do nascer do sol e continua até aproximadamente 3 horas após o amanhecer.

O Shemá é composto de três parágrafos de nossa Torá. O primeiro parágrafo (Deuteronômio 6:4-9) contém o conceito de amarmos a D-us, estudar Torá e transmitir a tradição judaica às nossas crianças. Também se refere a mitz-vá de os homens colocarem tefilin e de colocarmos mezuzá em nossas portas. Enquanto rezamos, o tefilin fica posicionado junto ao coração e ao cérebro, demonstrando que todas nossas emoções e pensamentos são dirigidas a D¬us. O pergaminho da mezuzá (sim, o principal é o pergaminho e não a caixinha) é afixado ao batente de nossas portas, demonstrando que temos segurança que é D-us quem protege nossos lares e propriedades de todas e quaisquer coisas não boas.

O tema principal do primeiro versículo (Shemá Israel, Hashém Elokeinu, Hashém Ehad - Ouça, ó Israel: o Eterno é Nosso D-us, o Eterno é Único) é a declaração da unicidade de D-us. Além disto, se olharmos como o versículo em hebraico está escrito, constataremos que as letras hebraicas "Ain" e "Dalet" estão ampliadas em relação às demais. Estas duas letras formam a palavra hebraica "Ed", que significa "testemunha". Ao recitarmos o Shemá, estamos testemunhando sobre a Unicidade de D-us.
Por que a "unicidade" é um conceito tão central na fé judaica? Faz alguma diferença se D-us é um e não três? A resposta é que os eventos que ocorrem diariamente em nosso mundo parecem mascarar a idéia de que D-us é Um. Um dia acordamos e tudo está bem. No dia seguinte pode estar tudo de cabeça para baixo. O que aconteceu? Será possível que o mesmo D-us que nos dá tantas coisas boas num dia, possa fazer tudo dar errado no outro? Todos sabemos que D-us é bom, então, como pode haver tanta dor? Seria apenas um caso de "má sorte"?

O Shemá é nossa declaração de que tudo vem Dele e apenas Dele. A confusão resulta de nossa percepção limitada da realidade. Uma maneira de entender a unicidade de D-us é imaginar um raio de luz brilhando sobre um prisma. Mesmo que estejamos vendo as muitas cores do espectro, na verdade todas emanam de um mesmo feixe de luz. Assim também, mesmo que pareça que alguns eventos não são obra de D-us e sim do "azar" ou outra força qualquer, na verdade tudo vem de um Único D-us. Muitas vezes não entendemos, mas no grande "projeto" celestial tudo vem para o bem, pois Ele sabe o que é melhor para nós.
Quando recitamos o Shemá, costumamos fechar os olhos e cobri-los com a mão direita. O motivo disto é que assim bloqueamos nossa percepção da realidade e reconhecemos a realidade Dele. A outra ocasião na tradição judaica em que os olhos são especificamente fechados é quando se parte deste mundo. Da mesma forma que no final dos dias entenderemos como coisas "ruins" na verdade foram "boas", assim também nos esforçamos, durante o Shemá, para atingir este nível de percepção e entendimento.
Tudo isto tem um grande propósito: lembrar-nos que não estamos sozinhos e que todos temos uma meta a ser atingida na vida.

 

Fonte: REVISTA VISÃO JUDAICA EDIÇÃO N° 12

 



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